16 de jun de 2009

O que fazer com tanto lixo?!




A problemática do lixo, segundo Osmar Mendes, Analista Ambiental da Secretária Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídrico de Goiás – SEMARH é o constante aumento de resíduos e a falta de áreas apropriadas para depositá-lo. Ele afirma que Goiânia produz cerca de 1280 toneladas de lixo por dia durante os meses mais chuvosos e 1150 toneladas no período seco.


O destino do lixo em Goiás, de acordo com Osmar é de 70% de resíduos encaminhados para lixões, que é a forma inadequada de disposição, já que os resíduos são apenas descarregados sobre o solo, sem qualquer medida de proteção ao meio ambiente e à saúde pública. Vinte e cinco por cento são encaminhados para a forma controlada de colocar o lixo, na qual precauções tecnológicas são adotadas durante o desenvolvimento do aterro, aumentando a segurança do local e minimizando impactos no meio e na saúde. No entanto, como coloca Osmar, “ainda não é a maneira adequada, pois não tem, por exemplo, impermeabilização, que impede o contato do chorume produzido com o lençol freático”. E, 5% vão para aterros sanitários, que utilizam técnicas de engenharia; onde é feita a drenagem e captação do líquido gerado e realizada a compactação do lixo.



O aterro de Goiânia tem segundo Osmar, por volta de 45 metros de altura. Sua área atual teve 15 anos de vida útil e está passando por um procedimento que vai ampliá-lo garantindo mais alguns anos. “Os mais otimistas afirmam que vai aumentar mais 20 anos na vida útil do aterro. Mas a área ampliada corresponde à metade da original. Se esta aguentou 15 anos, a ampliação deve aguentar sete”, conclui.


Osmar Mendes ressalta que como faltam verbas para ampliar a fiscalização e para serem investidas em novas técnicas de tratamento do lixo, o que existe hoje é um trabalho de conscientização, realizado pela gerência específica de educação ambiental. No entanto, como ele coloca, o retorno do trabalho de conscientização é muito demorado. “A Alemanha é um país admirável na questão de consciência, mas se for ver, o órgão ambiental lá tem 750 anos de operação. O do Brasil tem 30 apenas”, acrescenta.


Segundo Osmar, o melhor destino que pode ser dado aos resíduos hoje, é o processamento para a cogeração de energia. “Queima o lixo e produz vapor que vai tocar uma turbina para gerar energia”, explica. No entanto, ele acredita que existem forças que não deixam essa tecnologia avançar. “Os interesses puramente econômicos impedem o desenvolvimento de novas tecnologias. Dizem que por trás do lixo existe muito dinheiro”, pontua.


Ele estima que o lixo da capital e do entorno seria suficiente para gerar energia para uma cidade de 300 mil habitantes. “O custo da tecnologia é alto. Mas a construção de uma hidrelétrica, que fica entorno de 120 milhões de dólares é quase equivalente. O problema está no interesse em desenvolvê-la”, afirma. Osmar conta que só existe uma empresa que realiza o processo de cogeração de energia no Brasil, que fica em São Paulo.


O procedimento faz a blendagem, ou seja, a mistura de diferentes tipos de resíduos, o que vai aumentar o seu poder calorífico, permitindo a geração de energia. A vantagem, segundo Osmar é que a queima para geração de energia, não produz mais resíduos, como acontece quando é utilizada a incineração. O resultado final são cinzas, que nos Estados Unidos (EUA), por exemplo, são utilizadas para produzir cimento. “Tem cimenteiras nos EUA cujo 80% dos cimentos são produzidos a partir do coprocessamento do lixo”, afirma. A vantagem para o gerador, de acordo com Osmar, é que ele recebe um certificado de eliminação de resíduos.


Os resíduos gerados pela construção civil são responsáveis, segundo Osmar, por 41% a 70% da massa de resíduos urbanos coletados no Brasil. Em Goiânia são geradas 2000 toneladas de resíduos por dia na época de estiagem. Osmar explica que o grande problema é que não há um local específico para destinação dos resíduos. “São encaminhados para os aterros sanitários e utilizados para recobrimento do lixo, mas o excesso também acaba ficando e contribuindo, dentre outros problemas, com a redução da vida útil do aterro”.


Leônidas, doutor em Âmbitos de Investigação em Energia e Meio Ambiente na Arquitetura, pela Universitat Politècnica de Catalunya, Barcelona (Espanha), acredita que o recolhimento do entulho é dever do construtor. No entanto, o poder público deve contribuir, por exemplo, com a construção de indústrias que trabalham com a reutilização dos materiais, para que eles possam ser reciclados. “Quando você começa a reciclar, percebe o quando de lixo você gera. Se as construtoras não se responsabilizarem pelos seus resíduos, não vão saber o quanto produzem”, afirma. Segundo ele este é o ponto importante da reutilização, ter consciência do lixo que produz e a partir daí, tentar encontrar soluções, como a redução do consumo de materiais na obra.


De acordo como Osmar, o percurso correto no tratamento do lixo seria, “diminuir o consumo para gerar menos resíduos. Se gerou, reciclar. O que não for possível de ser reciclado, utilizar na cogeração de energia”. A logística reversa é outro caminho apontado por ele, na qual o gerador é responsável pela eliminação dos resíduos e, para isso, agrega um valor a mais na mercadoria, que será o dinheiro utilizado para promover a reciclagem.


Ele afirma que Goiás está caminhando em passos lentos. “Dá um passo para frente e recua dois”. Segundo Osmar, está caminhando na contra mão da história, principalmente por atitudes como retirar a administração do aterro sanitário de Goiânia de uma empresa terceirizada e voltar para a prefeitura. “Outros Estados estão melhorando porque estão terceirizando o produto. O poder público se torna apenas um agente fiscalizador do serviço”, ressalta. “Mas acredito que agente vai caminhando. É um ato de consciência do administrador e da sua equipe”, conclui.

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