5 de jun de 2009

Previsões negativas X Expectativas positivas


O meio ambiente, desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, se tornou um tema muito discutido e objeto de diversas pesquisas. No entanto, a cada novo estudo os resultados obtidos mostram um cenário nada agradável para as décadas que se seguem. As previsões são de redução dos recursos naturais, aumento da temperatura do planeta e, consequentemente, de uma baixa qualidade de vida.

Um estudo realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), apontou que cerca de 18% da população, que corresponde a 1 bilhão de pessoas, já está sem acesso a uma quantidade mínima de água de boa qualidade para consumo. De acordo com o cálculo, este número poderá ser de 5,5 bilhões de pessoas em 2025. Já em 2050 seria 75% da humanidade sem o recurso.

José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também realizou um estudo e chegou à conclusão de que a temperatura da Amazônia poderá crescer de 3ºC a 5,3ºC até o fim do século, sem levar em conta o desmatamento, que também pode aquecer o leste amazônico em até 4ºC. Ele também fez estimativas para as temperaturas do Nordeste, do Pantanal e da bacia do rio da Prata. Dentre todas essas regiões, a elevação mínima dada pelos modelos em 2100 é de 2,2ºC. Nessas condições, além de a Amazônia virar cerrado, a caatinga desapareceria, transformando o semi-árido nordestino em um deserto.

Uma outra pesquisa, realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), mostra que até 2050 o desmatamento no cerrado brasileiro terá aumentado 14%. O estudo prevê redução de 40 km² por década, o que faria com que a área devastada subisse de 800 mil km² em 2002, para 960 mil km² daqui a 40 anos. Os cálculos foram feitos pelo professor Manuel Eduardo Ferreira, com base em imagens de satélites.

Porém, nem todos que têm contato direto com o meio ambiente pensam apenas nas piores consequências. O Engenheiro Agrônomo Luciano Ferreira Coelho reconhece a necessidade de cuidar do meio e reduzir o processo de degradação, mas afirma que o ponto de vista de muitos pesquisadores é exagerado. “Estão acontecendo muitas coisas que realmente estão fugindo do controle, mas prefiro a linha de pensamento que não é tão catastrófica”, conclui. Arailson da Rocha Moreira, também Engenheiro Agrônomo, concorda. “Prefiro não ser nostradamos. Prefiro acreditar que nós ainda vamos encontrar um equilíbrio”. Especialista na questão de desmatamento, Arailson explica que este equilíbrio seria entre as necessidades de plantio e do consequente desenvolvimento econômico e a conscientização do ser humano para a importância da preservação.

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